Crítica: Deserto Particular
por Rodrigo de Oliveira Aly Muritiba tem conseguido algo no cinema brasileiro que é bastante difícil: constância. O cineasta parece não sair dos sets de filmagem, lançando séries e filmes com periodicidade invejável. Só em 2021, quem é ligado em festivais pode assistir a dois trabalhos do diretor baiano, radicado em Curitiba: Jesus Kid, premiado no Festival de Cinema de Gramado, e Deserto Particular, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A boa notícia é que a produtividade não tem sido inimiga da qualidade. Pelo contrário. Deserto Particular, o mais recente trabalho, escolhido como o representante do Brasil no Oscar 2022, é seu longa-metragem mais maduro. Ao dividir a trama a partir dos pontos de vista do platônico casal principal, Muritiba e seu coroteirista Henrique dos Santos nos convidam para uma jornada intensa, amorosa e emocionante – mas, claro, com seus percalços. O texto traz spoilers. Na trama, conhecemos Daniel (Antonio Saboia), um policial curitibano que está suspenso por um grave erro que cometeu. Ele cuida do pai idoso (Luthero Almeida) e precisa voltar...
Leia Mais