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Publicado por em jan 25, 2022 em Artigos |

Crítica: Deserto Particular

Crítica: Deserto Particular

por Rodrigo de Oliveira Aly Muritiba tem conseguido algo no cinema brasileiro que é bastante difícil: constância. O cineasta parece não sair dos sets de filmagem, lançando séries e filmes com periodicidade invejável. Só em 2021, quem é ligado em festivais pode assistir a dois trabalhos do diretor baiano, radicado em Curitiba: Jesus Kid, premiado no Festival de Cinema de Gramado, e Deserto Particular, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A boa notícia é que a produtividade não tem sido inimiga da qualidade. Pelo contrário. Deserto Particular, o mais recente trabalho, escolhido como o representante do Brasil no Oscar 2022, é seu longa-metragem mais maduro. Ao dividir a trama a partir dos pontos de vista do platônico casal principal, Muritiba e seu coroteirista Henrique dos Santos nos convidam para uma jornada intensa, amorosa e emocionante – mas, claro, com seus percalços. O texto traz spoilers. Na trama, conhecemos Daniel (Antonio Saboia), um policial curitibano que está suspenso por um grave erro que cometeu. Ele cuida do pai idoso (Luthero Almeida) e precisa voltar...

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Publicado por em jan 25, 2022 em Artigos |

Crítica: Eu não sou um robô

por Rodrigo de Oliveira Eu Não Sou um Robô é tão criativo quanto divertido, embora não esqueça de colocar o dedo na ferida na questão do isolamento social e na solidão. Dirigido por Gabriela Lamas (do ótimo e premiado Sesmaria, 2015), o curta tem roteiro assinado a seis mãos (Lamas, Felipe Yurgel e Maurilio Almeida) e com uma ajudinha de amigos, que enviaram áudios no WhatsApp para ajudar em alguns diálogos. Concebido durante a pandemia, o curta teve muitas reuniões virtuais e a gravação em si foi realizada com apenas três pessoas: a diretora e roteirista Gabriela Lamas (que vive a protagonista), o produtor e roteirista Maurilio Almeida (que interpreta a Mosca) e a diretora de fotografia Lívia Pasqual. Incrível que de um grupo tão pequeno possa ter saído um filme tão redondo. Na trama, a protagonista falha ao tentar passar nos testes ReCAPTCHA na internet e tenta se convencer de que não é um robô. Na cozinha, ela encontra uma mosca e começa a trocar uma ideia com...

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Publicado por em set 6, 2021 em Artigos |

Pluralidade feminina domina os curtas gaúchos

Pluralidade feminina domina os curtas gaúchos

Por Siliane Vieira Somos muitas e a diversidade cruza nossas histórias. Essa multiplicidade de identidades e trajetóriasfemininas esteve grafada na seleção de curtas gaúchos participantes do Prêmio AssembleiaLegislativa, no 49º edição do Festival de Cinema de Gramado. Entre os 23 filmes concorrentes desteano, pelo menos 14 exibiram mulheres entre os seus protagonistas e onze deles foram dirigidos (oucodirigidos) por cineastas mulheres. Essa representatividade – crescente, ainda bem – dá conta deconstruir um amplo discurso, conduzido por diferentes vozes que merecem ser ouvidas. Um exemplo é o vencedor da categoria melhor filme, Desvirtude, que dimensiona o peso de umtema como o racismo na vida de uma jovem universitária. Um olhar que traz embutido muito do quea própria realizadora audiovisual Gautier Lee, que levou o prêmio de melhor direção pelo curta,vivenciou no ambiente acadêmico sendo a única formanda negra em sua turma. A narrativa criadapara o filme discute ainda o despreparo das instituições e coloca outra personagem feminina (umaprofessora) no papel de quem comete a agressão à aluna, discutindo o “ser...

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Publicado por em set 6, 2021 em Artigos |

Mostra Assembleia Legislativa – 49º Festival de Cinema de Gramado

Mostra Assembleia Legislativa – 49º Festival de Cinema de Gramado

Por Rodrigo de Oliveira O 49º Festival de Cinema de Gramado foi virtual, nos mesmos moldes de 2020. E não teria outro jeito, visto que a pandemia ainda nos afeta e muito. Superior ao ano anterior, mas com uma atmosfera de expectativa pela próxima edição, o Festival de 2021 pareceu um show de abertura para o evento principal, o tão aguardado cinquentenário que acontece em 2022. Tomara que estejamos vendo a pandemia no retrovisor ano que vem, para que possamos estar em Gramado novamente. Embora a produção tenha sido afetada pelo COVID-19, tivemos bons filmes na programação dos curtas gaúchos, o tradicional Prêmio Assembleia Legislativa. Sempre um prazer participar do Júri da Crítica do nosso querido Gauchão – ainda mais com as boas companhias dos colegas Siliane Vieira e Victor Hugo Furtado – e notar que a qualidade dos títulos se mantém em alto nível. Neste ano, escolhemos como vencedor o ótimo Eu Não sou um Robô, de Gabriela Lamas, um trabalho de guerrilha que contou com uma equipe...

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Publicado por em set 6, 2021 em Artigos |

Pelo que me consta, Eu não sou um robô

Pelo que me consta, Eu não sou um robô

Por André Bozzetti Em 1982, “Blade Runner – O Caçador de Andróides” nos apresentou um complexo teste psicológico para identificar se alguns indivíduos eram realmente humanos ou eram máquinas, denominados Replicantes. O exame era composto por perguntas que buscavam reações emocionais, por mais imperceptíveis que fossem, relacionadas a algumas situações ou eventos descritos pelos investigadores. Quase 40 anos depois, a técnica utilizada se tornou teoricamente mais simples. O teste, não mais aplicado por humanos e sim pelas próprias máquinas, consegue descobrir se somos ou não robôs através da nossa capacidade de diferenciar um caminhão de um semáforo. Ou uma bicicleta de um navio. Algumas vezes, até um avião de uma faixa de pedestres. O mais inacreditável é que nem sempre somos capazes de fazer isso. Será que, assim como alguns personagens do clássico de Ridley Scott, somos andróides e não sabemos disso? Esta reflexão que pode parecer insólita é o ponto de partida para o curta-metragem “Eu não sou um robô”, de Gabriela Lamas, vencedor nas categorias de melhor...

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Publicado por em set 6, 2021 em Artigos |

Crítica que se mantém atual

Crítica que se mantém atual

Por Adriana Androvandi Um dos filmes em competição na categoria de Melhor Filme Brasileiro no 49º Festival de Cinema de Gramado foi “Homem-Onça”, de Vinicius Reis (2021). Este drama retrata transformações políticas e econômicas que ocorreram no Brasil na década de 1990, com o início de várias privatizações de estatais. Através da história de uma família, formada pelo pai, Pedro (Chico Diaz), a mãe Sônia (Silvia Buarque) e a filha Rosa (Valentina Herszage), se percebe o impacto emocional e financeiro que um desses processos gerou na sua trajetória. Ambientado no Rio de Janeiro, o filme foi inspirado na experiência pessoal do diretor, que contou que seu pai viveu uma situação semelhante quando a empresa de mineração Vale foi privatizada. No filme, a fictícia empresa se chama Gás do Brasil. A questão retratada não apenas discute as mudanças, mas como são conduzidas. Pedro coordena um departamento da companhia que trata de sustentabilidade de uma área ambiental, que recebe elogios até de países do exterior. Por ser um setor que aparece...

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